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Adivinha!

Adivinha sobre o que vou falar hoje? Um sitio onde posso falar de tudo o que me apetece...

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Adivinha!

30
Mai17

Pesadelo Real - 8 de Maio


Milheiras

Tal como estava combinado lá fui ter com médico, na segunda 8 maio.

Levava comigo o saco da "maternidade", camisas de dormir, robe, chinelos e muitos pares de cuecas, pensos ultra absorventes de noite, e artigos de higiene pessoal. O saco e o ovo, a primeira roupinha do bebé ficou em casa desta vez estava destinado que viesse de braços vazios. Tremia que nem varas verdes, quando cheguei ao hospital. Os olhares de pena quando dizia que tinha um aborto retido.

Depois o chegar ao piso da maternidade/pediatria, encontrar grávidas com barrigões e sorrisinhos nervosos, ouvir o choro dos bebés ainda tão pequeninos...

E eu saber que a morte habitou o meu ventre, e o pavor de ter de passar por tudo outra vez, era sufocante, apesar de tentar manter um sorriso na cara, houve um momento em que correram duas lágrimas furtivas.

O ter de deixar o meu marido, na sala de espera e entrar sozinha atrás do médico, fui a mais profunda sensação de solidão, desta vez até os corredores me pareceram mais sombrios.

O ser observada e ver debaixo de mim um balde à espera... O terror, o desespero inundava-me e eu gelava e permanecia no mais profundo dos silêncios, nem as lágrimas queriam assistir...

E o médico respondeu: "Está tudo limpo!"

E a dor cravou-se no meu peito, perdi o meu filho e lembrei das palavras do José Luís Peixoto: "Um filho só de sangue..." que eu deixei escorrer...

E o vazio apoderou-se de mim... Porque não quiseste ser meu filho????

 

 

 

 

"Esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas. Sou eu. Podíamos ter-lhe ensinado as palavras, mas o seu nome é agora de sangue. Podíamos ter fechado a sua mão pequena dentro da nossa, mas a sua mão é agora de sangue. Esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas e morre sou eu, o meu sangue e a minha memória."

"Fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."

"Vamos separar-nos, nada nunca mais me trará
os teus olhos ou os teus dedos ou tantas coisas
que eram palavras, nada, nunca mais, manhã após
manhã, te mostrará o meu rosto a acordar. nem as
estrelas, nem a cama antes de adormecer. nada.
Vamos separar-nos, e nada nunca mais nos poderá
unir, nem mesmo o tempo. nem mesmo a morte."

"não. ninguém irá saber o que aconteceu.
Estou muito cansado.
Apetece-me dormir até morrer."

 

José Luís Peixoto

in: A criança em ruínas

 

28
Mai17

Pesadelo Real... 6 de Maio


Milheiras

 

 

 

Desde o dia 3 de Maio pelas 16 horas até ao momento que tenho vivido um pesadelo real...

Foi horrível fisicamente, mas psicologicamente é melhor nem falar, porque continua a ser horrível, embora por momentos consiga esquecer o que se passou...

Desde o momento em que soube que o feto não tinha batimentos que a dor na alma é lacerante...

No dia 4 passei o dia todo a chorar, a desejar que a morte saísse de dentro de mim...

A física só começou na noite de 3 para 4 de maio e intensificou-se na noite de 5 para 6 de maio, a que culminou com a expulsão do feto por volta das 7 da manhã do dia 6 de Maio, mas com contracções até por volta das 13 horas, ironicamente na véspera do dia da Mãe.

O médico tinha-me explicado tudo o que poderia acontecer, e caso acontecesse para lhe ligar, mas também disse que se não acontecesse nada que no dia 8 segunda-feira teríamos de tratar de tudo.

Com mais alguma ajuda da Internet, estava preparada para perceber o que se ia passar comigo e com o meu corpo...

Por isso quando senti aquele corrimento incontrolável saltei da cama e corri para casa de banho deixando um rasto de sangue e levando o telemóvel comigo para chamar o meu marido, em pleno processo telefonei para o trabalho e pedi-lhe que viesse...

Senti sair aquela bola suave, que não tive coragem de ver , pensei que ia desmaiar, bati na minha própria cara com a mãos molhadas em água gelada, nem sei qual dor era mais incapacitante parece que se tinha partido alguma no meu peito e as entranhas sangrando, saindo depois varias vezes bolas suaves mas mais pequenas... Não tive coragem para ver o que saiu...

Abracei o meu marido, nem coragem tive para chorar...

Sabia que a morte não podia continuar a habitar o meu ventre, mas o que saia de mim não era a morte, era o meu filho...

 

 

30
Set16

A Escola


Milheiras

" O trabalho dessas pessoas, a princípio estranhas, que passam a maior parte do dia connosco, é de grande importância e vai-nos acompanhar para o bem e para o mal para o resto da vida. Mas o contributo fundamental para a nossa formação, é que vai determinante no tipo de pessoa que vamos ser, vem dos nossos pais." p.p. 14 In "Sejam Felizes!" de José Ceitil

16
Set16

1º dia de aulas no 1º ano do 1º Ciclo


Milheiras

Resultado de imagem para escola

 

 

1º dia de aulas no 1º ano do 1º Ciclo

Como o tempo passa depressa, assim se passaram 3 anos.... O meu filho já está 1º ano do 1º Ciclo, mas continuo a  ser a mesma mãe galinha. E esperançosa que a escola seja mais inclusiva. Saí de lá de lágrimas nos olhos, não por causa dos meu filho, mas de um menino que estava sozinho, o pai tinha ido cedo deixá-lo porque não podia faltar ao trabalho, e a mãe está no hospital, e ele ali estava sossegadinho sem ninguém desse por ele a ver a azafama de pais e filhos....

 

 

 

31
Ago16

O dia


Milheiras

Sempre que falávamos no assunto, pensava no que sentiria neste dia. Não senti nada, rigorosamente nada. Mas a culpa é tua! Se hoje não consigo verter uma lágrima a culpa é toda tua. Não sei os motivos que te levaram a tomar as decisões que tomaste, não sei que idade tinhas, mas sei que pelo menos viveste 50 anos, para te arrependeres. Eu tenho 34 anos, vi-te uma vez com 21 anos! O que esperavas? Um vale de lágrimas? Só tenho a agradecer a tua genética, teres sido uma boa parideira e a tua longevidade. De resto é como se este dia tivesse chegado antes da minha chegada. De quem eu tenho muita pena é da tua filha que tem de passar por isto 2 vezes. Primeiro teve de fazer o luto de uma mãe viva, esse sim doloroso numa idade que mais precisava de ti. E agora tem a notícia da morte de alguém que já enterrou à 50 anos.

05
Ago15

Quando o destino parece ser cruel demais...


Milheiras

Não quero por em causa o destino, nem os seus ou os desígnios de ninguém. Mas ontem à hora de jantar fiquei dorida, marcada, com muita vontade de chorar, por não conseguir entender ou compreender os motivos que levam a uma mãe ter de lidar com a perda dos 3 filhos, de uma única vez, não que é que eu acredite que se fosse um a um doía menos. Nem consigo imaginar-me no lugar daquela mãe.

Sempre coloquei em causa os motivos que "Deus" teria para levar estas almas, mas agora questiono o destino... Porque tem uma mãe de lidar com tamanho sofrimento? Como se vive depois de uma tragédia destas?

Agarramos-nos ao quê?

A lembranças? Mas isso chegará?

Se fosse numa guerra, a mãe lutaria pela sua própria sobrevivência... E assim? Luta pelo quê?

Como é que a vida poderá continuar?

Continuar para onde?

Quando a mãe só tem um filho, diz-se era filho único coitada não teve sorte!

Não é que a dor seja menor!

Mas como se explica, como se entende e compreende  a perda de 3 filhos ao mesmo tempo?

Não consigo imaginar a tragédia, o sofrimento vivido por aquela família.

Espero que a aquela mãe e aquela família consigam encontrar uma paz, um conforto que os consiga motivar a continuar.

rose-flower-petals-drops-black-white.jpg

 

 

 

25
Jun14

Ser mulher... Ser mãe... Ser eu.


Milheiras

É bom saber que não sou a única, a pensar que tudo poderia ser diferente se não tivesse decidido ser mãe. Não é que me arrependa, porque não me arrependo, mas o que é certo é que a vida muda muito. Para pior ou melhor não sei! Muda! Amo o meu filho! Isso não muda! Mas a mulher tem sempre o papel mais pesado. A verdade é que deixamos de ter vida própria, para podermos ser mãe, os homens não. A maioria continua a sua vidinha de sempre!
04
Mai14

Ser mãe...


Milheiras

Ser mãe...

Para mim ser mãe é viver sobre o arame constantemente,

É viver com a dúvida...

É sentir a responsabilidade de dar as ferramentas mais adequadas,

É questionar-me se ele conseguirá utilizar as ferramentas da melhor forma...

Ser mãe...

É sentir uma felicidade imensa,

E sentir um medo profundo de perder essa felicidade.

Ser mãe...

É sorrir quando apetece chorar,

Mas também é chorar e rir, e rir e chorar.

Ser mãe...

É amar sem motivo.

É sofrer!

Ser mãe...

É esquecer o sofrimento por amor....

É esquecermo-nos de nós...

Ser mãe...

Para mim é ter um motivo para viver....

                            (Imagem retirada da net)

30
Abr14

Filhos


Milheiras

Como sabem, sou muito de me questionar...

Estou longe de ser a mãe perfeita (se é que existe!), mas o que quero dizer é que noto que falho muitas vezes como mãe.

Mas tento todos os dias melhorar e não estou a dizer isto porque é politicamente correcto, é mesmo verdade. Tento não enaltecer o o meu filho, afinal ele é como outra criança qualquer, embora para mim seja especial por ser meu.

Ás vezes as pessoas não me compreendem, porque eu não coloco fotografias dele no facebook, nem ando a mostrar as fotografias dele que tenho no telemóvel. Nem ando a dizer ele já faz isto ou aquilo e ainda só 3 anos...

Vou guardando esses triunfos para mim, para o pai e para os avós.

Existem coisas nele que acho que os outros devem saber sobre ele, mas não é para o tratarem de uma forma especial, é só porque eu acho que é importante saberem por fazer parte das suas características.

Ele é miúdo muito sensível, impressiona-se com facilidade tem um livro que é sobre um menino que perder um brinquedo, eu não lho posso ler porque ele chora, porque o menino perdeu o brinquedo. Quando vê alguém careca pergunta se a  pessoa está doente, são coisas dele não fomos nós que ensina-mos é ele que sente assim, quando algo é mais invulgar faz-lhe confusão porque é que é  assim e temos de explicar com a verdade, não é um menino que se fique com uma desculpa qualquer. E sempre que posso preparo-o para o que vai ver, outras vezes explico que nem todas as pessoas são iguais, não têm todas a mesma cor, não têm todas cabelo, nem todas têm 2 braços e 2 pernas.

Como ele gosta muito de flores e plantas, digo-lhe que as pessoas são como as flores todas diferentes...

              (imagem reitarda da net)

 

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