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Adivinha!

Adivinha sobre o que vou falar hoje? Um sitio onde posso falar de tudo o que me apetece...

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Adivinha!

25
Ago17

"O tempo tudo cura!"


Milheiras

O tempo vai passando, a dor permanece. Mas parece que tudo aconteceu, há muito tempo. No meu pensamento habitam novos medos, quero acreditar que a morte habitou em mim, por algum motivo. Não me consigo aproximar da religião para explicar o que aconteceu. Não quero pensar que foi um sinal para mudar de vida. Não consigo entender nem sei se é necessário entender. Se calhar é só aceitar, mas como posso aceitar ou não aceitar uma situação destas? Sei o que sinto, uma sensação de impotência, de tristeza e incompreensão. Nem o papel do porquê a mim eu consigo vestir... Agora começo a conseguir falar sobre o assunto. De repente sinto - me velha, sem conseguir fazer planos para o futuro tamanha é a sensação de impotência.

04
Jun17

1 de junho (Dia Mundial da Criança)


Milheiras

28
Mai17

Pesadelo Real... 6 de Maio


Milheiras

 

 

 

Desde o dia 3 de Maio pelas 16 horas até ao momento que tenho vivido um pesadelo real...

Foi horrível fisicamente, mas psicologicamente é melhor nem falar, porque continua a ser horrível, embora por momentos consiga esquecer o que se passou...

Desde o momento em que soube que o feto não tinha batimentos que a dor na alma é lacerante...

No dia 4 passei o dia todo a chorar, a desejar que a morte saísse de dentro de mim...

A física só começou na noite de 3 para 4 de maio e intensificou-se na noite de 5 para 6 de maio, a que culminou com a expulsão do feto por volta das 7 da manhã do dia 6 de Maio, mas com contracções até por volta das 13 horas, ironicamente na véspera do dia da Mãe.

O médico tinha-me explicado tudo o que poderia acontecer, e caso acontecesse para lhe ligar, mas também disse que se não acontecesse nada que no dia 8 segunda-feira teríamos de tratar de tudo.

Com mais alguma ajuda da Internet, estava preparada para perceber o que se ia passar comigo e com o meu corpo...

Por isso quando senti aquele corrimento incontrolável saltei da cama e corri para casa de banho deixando um rasto de sangue e levando o telemóvel comigo para chamar o meu marido, em pleno processo telefonei para o trabalho e pedi-lhe que viesse...

Senti sair aquela bola suave, que não tive coragem de ver , pensei que ia desmaiar, bati na minha própria cara com a mãos molhadas em água gelada, nem sei qual dor era mais incapacitante parece que se tinha partido alguma no meu peito e as entranhas sangrando, saindo depois varias vezes bolas suaves mas mais pequenas... Não tive coragem para ver o que saiu...

Abracei o meu marido, nem coragem tive para chorar...

Sabia que a morte não podia continuar a habitar o meu ventre, mas o que saia de mim não era a morte, era o meu filho...

 

 

30
Set16

A Escola


Milheiras

" O trabalho dessas pessoas, a princípio estranhas, que passam a maior parte do dia connosco, é de grande importância e vai-nos acompanhar para o bem e para o mal para o resto da vida. Mas o contributo fundamental para a nossa formação, é que vai determinante no tipo de pessoa que vamos ser, vem dos nossos pais." p.p. 14 In "Sejam Felizes!" de José Ceitil

10
Ago16

Quando nos transformamos na nossa mãe?


Milheiras

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Quando começamos a formar a nossa personalidade e no fundo a despertar para o mundo que nos rodeia, olhamos para determinadas atitudes dos nossos pais e dizemos:

"Eu nunca vou fazer isto a uma filho meu!"

" Eu nunca vou dizer isto um filho meu!"

"Eu nunca vou ser assim!"

O meu pai sempre foi uma pessoa ponderada, também tem as suas falhas, mas eu sempre me dei bem com ele e continuo a dar. Já a relação com a minha mãe sempre foi muito conflituosa, e continua a ser embora desde que eu sou mãe há uma espécie e paz podre entre nós. Mas dantes, eu dizia que tínhamos uma relação conflituosa porque que eu era o oposto dela, hoje tenho consciência que é exactamente o o contrário! Sou demasiado parecida com ela, tanto que luto para ser oposto, o que faz com que esteja em conflito permanente comigo mesma e por sua vez com ela. Mas se há coisa de que me orgulho é ser uma mãe descontraída, embora isso para mim muitas vezes seja motivo de sofrimento interno.

Por vezes dou por mim a evitar transformar-me na minha mãe!

20
Jun16

O que aconteceu com a HUMANIDADE?


Milheiras

Desde sábado que sinto uma revolução dentro de mim, uma culpa, mas sem saber o que poderia ter feito de outra forma.

No dia 9 de Janeiro, estava frio e chovia, e eu estava com mais 4 ou 5 pessoas numa capela muito mais pequena que o meu quarto(não tenho um quarto, lá muito grande), numa cidade do interior, a velar um tio. Se calhar devia dizer "o tio", o tio que era 13 anos mais velho que a minha mãe e com 25 anos ficou 4 irmãos para criar a mais nova com meses, e sem mulher nem namorada fixa. Claro está que apesar de os cuidar bem, talvez até conseguisse que eles estivessem mais bem tratados do que quando estavam com pai, como não era o pai, era jovem e não tinha mulher não pode ficar com eles, e eles foram entregues à mãe que os tinha abandonado. Mas o coração dele sempre foi de manteiga, sempre albergou tudo e todos, e sempre repartiu por muitos, era um Homem com H grande. No dia 9, no seu velório albergou um jovem. E foi assim que que eu percebi que não conhecia  a cidade onde vivia que a Humanidade não morava aqui , nem mesmo em mim.

O rapaz tinha chegado à 3 meses a Portugal,  vindo de um país longínquo onde tinha sido abandonado pela mãe, numa instituição. Tinha feito os 18 anos e teve de sair da instituição sem família naquele país que o quisesse ou pudesse receber a mãe foi buscá-lo.

Via-se que a maturidade era pouca, para os 18 anos.

Estou em crer que a mãe pensou que ia buscar aquele filho que tinha abandonado, ainda pequeno e o filho pensou que vinha encontrar a mãe com quem fantasiou nas noites frias e escuras da sua vida.

Mais uma prova que não há contos de fadas, e não foi nada disso que aconteceu. Não se davam! Por falta da sua maturidade e quem sabe ligeiro atraso, a mãe queria internar o filho numa instituição para pessoas com deficiência mental e motora, mas não podia porque ele já era maior de idade e o filho, não a  podia aturar dormia na rua, onde calhava, na noite de 9 de janeiro dormiu no chão perfeitamente envernizado de madeira, com um cobertor por baixo e um cobertor por cima e junto ao aquecedor, na capela onde velávamos  "o Tio".

 

Era um rapaz dócil de sorriso fácil, que queria voltar para sua terra, algumas pessoas que estavam presentes no velório aconselharam-no a ir às Entidades do Poder Local pedir ajuda, apercebemo-nos que a maioria das Entidades e Instituições Locais já sabiam do que se passava.

Mais tarde, soube que ainda era mais divulgado mas ninguém fez nada, a mãe trabalhava para uma instituição de solidariedade social, nunca falava no assunto.

Todos fingiam não saber do que se passava, as instituições e as pessoas. Todos olhámos para o lado, "ninguém podia fazer nada"...

No sábado, o rapaz apareceu a boiar no rio...

Pronto o problema resolveu-se já não envergonha a mãe, nem a entidades, nem instituições locais.

Não sei alguém se sente responsável pelo que aconteceu, mas eu pessoalmente sinto, não sei o que poderia ter feito, mas lamento profundamente este desfecho e nós todos comunidade tivemos a culpa.

 

Foram 9 meses, curioso não? o tempo de uma gravidez que costumam ser 9 meses de esperança e alegria.

 

Estes 9 meses foram de quê?

 

O que aconteceu com a HUMANIDADE?

 

 

 

 

22
Set15

Porquê?


Milheiras

Que Deus é este que faz sofrer os seus filhos mais indefesos? Que os obriga a travar batalhas cujo o final acaba de forma trágica. Que justiça há quando há pais que têm filhos saudáveis os torturam e matam, e outros que amam os filhos mais que a própria vida e vem uma maldita doença que lhos rouba. Como se pode viver depois de semelhante tragédia?

05
Ago15

Quando o destino parece ser cruel demais...


Milheiras

Não quero por em causa o destino, nem os seus ou os desígnios de ninguém. Mas ontem à hora de jantar fiquei dorida, marcada, com muita vontade de chorar, por não conseguir entender ou compreender os motivos que levam a uma mãe ter de lidar com a perda dos 3 filhos, de uma única vez, não que é que eu acredite que se fosse um a um doía menos. Nem consigo imaginar-me no lugar daquela mãe.

Sempre coloquei em causa os motivos que "Deus" teria para levar estas almas, mas agora questiono o destino... Porque tem uma mãe de lidar com tamanho sofrimento? Como se vive depois de uma tragédia destas?

Agarramos-nos ao quê?

A lembranças? Mas isso chegará?

Se fosse numa guerra, a mãe lutaria pela sua própria sobrevivência... E assim? Luta pelo quê?

Como é que a vida poderá continuar?

Continuar para onde?

Quando a mãe só tem um filho, diz-se era filho único coitada não teve sorte!

Não é que a dor seja menor!

Mas como se explica, como se entende e compreende  a perda de 3 filhos ao mesmo tempo?

Não consigo imaginar a tragédia, o sofrimento vivido por aquela família.

Espero que a aquela mãe e aquela família consigam encontrar uma paz, um conforto que os consiga motivar a continuar.

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