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Adivinha!

Adivinha sobre o que vou falar hoje? Um sitio onde posso falar de tudo o que me apetece...

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Adivinha!

24
Jul18

Vidas


Milheiras

No ano passado foi o pesadelo em Portugal, o meu lugar do coração quase desapareceu ... Este ano foi lá longe, na Grécia... Mas ainda assim não deixa ninguém indiferente... Que tristeza! Dezenas de vidas perdidas... Malditos incêndios que destroem tudo por onde passam, que nos deixam impotentes perante a sua monstruosidade. Que deixam um rasto de luto, perda e dor... Que nos fere as entranhas! 

29
Jan18

Mais um Adeus!!!


Milheiras

Imagem relacionada

 

Queria ter ido visitá-la, e ao mesmo tempo tinha medo de ir...Acabei por não ir...

Hoje partiu!

Partiu uma amiga, com 86 anos.

"E a coisa, é como ela, é!"

Dizia muitas vezes, quando não havia volta a dar.... Agora sou eu quem digo:"E a coisa, é como ela, é!"

Era um ÁS, no jogo da Sueca, chegou a trazer prémios para a Universidade Sénior.

Tornou o seu sonho realidade, ainda no ano passado, quando esteve cá a minha Profª de visita ela disse:  que sempre disse que não queria morrer sem aprender a ler, e aprendeu!

Depois dos 75 aprendeu a ler e a escrever, foi comigo à Universidade, era um exemplo!

Era a minha companheira para todas as atividades...

 

"E a coisa, é como ela, é!"

 

Até Sempre!!!

Até um dia destes!!

 

 

17
Jan18

Hoje fui eu que tremi...


Milheiras

Não consigo entender o leva as pessoas a chegarem a este ponto, ao mesmo tempo compreendo tão bem... Só sou cobarde de mais para o fazer, porque no fundo é um acto de coragem. Ter certeza que não se quer mais sofrimento e que não há mais nada... Eu tenho sido sempre assaltada pela esperança... Que não me deixa ganhar coragem, porque tenho medo daquilo que vou perder e se for melhor do que aquilo que estou a viver? Pergunto-me se foi solidão, o que foi o clic, a festa? E se o melhor ainda estava para vir?

30
Mai17

Pesadelo Real - 8 de Maio


Milheiras

Tal como estava combinado lá fui ter com médico, na segunda 8 maio.

Levava comigo o saco da "maternidade", camisas de dormir, robe, chinelos e muitos pares de cuecas, pensos ultra absorventes de noite, e artigos de higiene pessoal. O saco e o ovo, a primeira roupinha do bebé ficou em casa desta vez estava destinado que viesse de braços vazios. Tremia que nem varas verdes, quando cheguei ao hospital. Os olhares de pena quando dizia que tinha um aborto retido.

Depois o chegar ao piso da maternidade/pediatria, encontrar grávidas com barrigões e sorrisinhos nervosos, ouvir o choro dos bebés ainda tão pequeninos...

E eu saber que a morte habitou o meu ventre, e o pavor de ter de passar por tudo outra vez, era sufocante, apesar de tentar manter um sorriso na cara, houve um momento em que correram duas lágrimas furtivas.

O ter de deixar o meu marido, na sala de espera e entrar sozinha atrás do médico, fui a mais profunda sensação de solidão, desta vez até os corredores me pareceram mais sombrios.

O ser observada e ver debaixo de mim um balde à espera... O terror, o desespero inundava-me e eu gelava e permanecia no mais profundo dos silêncios, nem as lágrimas queriam assistir...

E o médico respondeu: "Está tudo limpo!"

E a dor cravou-se no meu peito, perdi o meu filho e lembrei das palavras do José Luís Peixoto: "Um filho só de sangue..." que eu deixei escorrer...

E o vazio apoderou-se de mim... Porque não quiseste ser meu filho????

 

 

 

 

"Esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas. Sou eu. Podíamos ter-lhe ensinado as palavras, mas o seu nome é agora de sangue. Podíamos ter fechado a sua mão pequena dentro da nossa, mas a sua mão é agora de sangue. Esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas e morre sou eu, o meu sangue e a minha memória."

"Fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."

"Vamos separar-nos, nada nunca mais me trará
os teus olhos ou os teus dedos ou tantas coisas
que eram palavras, nada, nunca mais, manhã após
manhã, te mostrará o meu rosto a acordar. nem as
estrelas, nem a cama antes de adormecer. nada.
Vamos separar-nos, e nada nunca mais nos poderá
unir, nem mesmo o tempo. nem mesmo a morte."

"não. ninguém irá saber o que aconteceu.
Estou muito cansado.
Apetece-me dormir até morrer."

 

José Luís Peixoto

in: A criança em ruínas

 

28
Mai17

Pesadelo Real... 6 de Maio


Milheiras

 

 

 

Desde o dia 3 de Maio pelas 16 horas até ao momento que tenho vivido um pesadelo real...

Foi horrível fisicamente, mas psicologicamente é melhor nem falar, porque continua a ser horrível, embora por momentos consiga esquecer o que se passou...

Desde o momento em que soube que o feto não tinha batimentos que a dor na alma é lacerante...

No dia 4 passei o dia todo a chorar, a desejar que a morte saísse de dentro de mim...

A física só começou na noite de 3 para 4 de maio e intensificou-se na noite de 5 para 6 de maio, a que culminou com a expulsão do feto por volta das 7 da manhã do dia 6 de Maio, mas com contracções até por volta das 13 horas, ironicamente na véspera do dia da Mãe.

O médico tinha-me explicado tudo o que poderia acontecer, e caso acontecesse para lhe ligar, mas também disse que se não acontecesse nada que no dia 8 segunda-feira teríamos de tratar de tudo.

Com mais alguma ajuda da Internet, estava preparada para perceber o que se ia passar comigo e com o meu corpo...

Por isso quando senti aquele corrimento incontrolável saltei da cama e corri para casa de banho deixando um rasto de sangue e levando o telemóvel comigo para chamar o meu marido, em pleno processo telefonei para o trabalho e pedi-lhe que viesse...

Senti sair aquela bola suave, que não tive coragem de ver , pensei que ia desmaiar, bati na minha própria cara com a mãos molhadas em água gelada, nem sei qual dor era mais incapacitante parece que se tinha partido alguma no meu peito e as entranhas sangrando, saindo depois varias vezes bolas suaves mas mais pequenas... Não tive coragem para ver o que saiu...

Abracei o meu marido, nem coragem tive para chorar...

Sabia que a morte não podia continuar a habitar o meu ventre, mas o que saia de mim não era a morte, era o meu filho...

 

 

20
Jun16

O que aconteceu com a HUMANIDADE?


Milheiras

Desde sábado que sinto uma revolução dentro de mim, uma culpa, mas sem saber o que poderia ter feito de outra forma.

No dia 9 de Janeiro, estava frio e chovia, e eu estava com mais 4 ou 5 pessoas numa capela muito mais pequena que o meu quarto(não tenho um quarto, lá muito grande), numa cidade do interior, a velar um tio. Se calhar devia dizer "o tio", o tio que era 13 anos mais velho que a minha mãe e com 25 anos ficou 4 irmãos para criar a mais nova com meses, e sem mulher nem namorada fixa. Claro está que apesar de os cuidar bem, talvez até conseguisse que eles estivessem mais bem tratados do que quando estavam com pai, como não era o pai, era jovem e não tinha mulher não pode ficar com eles, e eles foram entregues à mãe que os tinha abandonado. Mas o coração dele sempre foi de manteiga, sempre albergou tudo e todos, e sempre repartiu por muitos, era um Homem com H grande. No dia 9, no seu velório albergou um jovem. E foi assim que que eu percebi que não conhecia  a cidade onde vivia que a Humanidade não morava aqui , nem mesmo em mim.

O rapaz tinha chegado à 3 meses a Portugal,  vindo de um país longínquo onde tinha sido abandonado pela mãe, numa instituição. Tinha feito os 18 anos e teve de sair da instituição sem família naquele país que o quisesse ou pudesse receber a mãe foi buscá-lo.

Via-se que a maturidade era pouca, para os 18 anos.

Estou em crer que a mãe pensou que ia buscar aquele filho que tinha abandonado, ainda pequeno e o filho pensou que vinha encontrar a mãe com quem fantasiou nas noites frias e escuras da sua vida.

Mais uma prova que não há contos de fadas, e não foi nada disso que aconteceu. Não se davam! Por falta da sua maturidade e quem sabe ligeiro atraso, a mãe queria internar o filho numa instituição para pessoas com deficiência mental e motora, mas não podia porque ele já era maior de idade e o filho, não a  podia aturar dormia na rua, onde calhava, na noite de 9 de janeiro dormiu no chão perfeitamente envernizado de madeira, com um cobertor por baixo e um cobertor por cima e junto ao aquecedor, na capela onde velávamos  "o Tio".

 

Era um rapaz dócil de sorriso fácil, que queria voltar para sua terra, algumas pessoas que estavam presentes no velório aconselharam-no a ir às Entidades do Poder Local pedir ajuda, apercebemo-nos que a maioria das Entidades e Instituições Locais já sabiam do que se passava.

Mais tarde, soube que ainda era mais divulgado mas ninguém fez nada, a mãe trabalhava para uma instituição de solidariedade social, nunca falava no assunto.

Todos fingiam não saber do que se passava, as instituições e as pessoas. Todos olhámos para o lado, "ninguém podia fazer nada"...

No sábado, o rapaz apareceu a boiar no rio...

Pronto o problema resolveu-se já não envergonha a mãe, nem a entidades, nem instituições locais.

Não sei alguém se sente responsável pelo que aconteceu, mas eu pessoalmente sinto, não sei o que poderia ter feito, mas lamento profundamente este desfecho e nós todos comunidade tivemos a culpa.

 

Foram 9 meses, curioso não? o tempo de uma gravidez que costumam ser 9 meses de esperança e alegria.

 

Estes 9 meses foram de quê?

 

O que aconteceu com a HUMANIDADE?

 

 

 

 

22
Set15

Porquê?


Milheiras

Que Deus é este que faz sofrer os seus filhos mais indefesos? Que os obriga a travar batalhas cujo o final acaba de forma trágica. Que justiça há quando há pais que têm filhos saudáveis os torturam e matam, e outros que amam os filhos mais que a própria vida e vem uma maldita doença que lhos rouba. Como se pode viver depois de semelhante tragédia?

05
Ago15

Quando o destino parece ser cruel demais...


Milheiras

Não quero por em causa o destino, nem os seus ou os desígnios de ninguém. Mas ontem à hora de jantar fiquei dorida, marcada, com muita vontade de chorar, por não conseguir entender ou compreender os motivos que levam a uma mãe ter de lidar com a perda dos 3 filhos, de uma única vez, não que é que eu acredite que se fosse um a um doía menos. Nem consigo imaginar-me no lugar daquela mãe.

Sempre coloquei em causa os motivos que "Deus" teria para levar estas almas, mas agora questiono o destino... Porque tem uma mãe de lidar com tamanho sofrimento? Como se vive depois de uma tragédia destas?

Agarramos-nos ao quê?

A lembranças? Mas isso chegará?

Se fosse numa guerra, a mãe lutaria pela sua própria sobrevivência... E assim? Luta pelo quê?

Como é que a vida poderá continuar?

Continuar para onde?

Quando a mãe só tem um filho, diz-se era filho único coitada não teve sorte!

Não é que a dor seja menor!

Mas como se explica, como se entende e compreende  a perda de 3 filhos ao mesmo tempo?

Não consigo imaginar a tragédia, o sofrimento vivido por aquela família.

Espero que a aquela mãe e aquela família consigam encontrar uma paz, um conforto que os consiga motivar a continuar.

rose-flower-petals-drops-black-white.jpg

 

 

 

25
Jan14

Fehér


Milheiras

 

Fez hoje 10 anos que escrevi um post, sobre a morte de Fehér nº 29. Muito longe de pensar que 5 anos depois perdia um dos meus melhores amigos curiosamente a 29 de Dezembro, da mesma forma, só que foi no local de trabalho  não num campo de futebol...

Este tipo de mortes, faz-nos recordar que não somos mesmo nada... de um momento para o outro tudo se perde...

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