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Adivinha!

Adivinha sobre o que vou falar hoje? Um sitio onde posso falar de tudo o que me apetece...

Adivinha sobre o que vou falar hoje? Um sitio onde posso falar de tudo o que me apetece...

Adivinha!

11
Set20

A cultura empobreceu...


Milheiras

Sempre que parte alguém, que tem um papel activo na cultura, a cultura empobrece.

Mas este 2020 tem sido devastador, principalmente na literatura...

Lamento profundamente, a morte de todos, mas o José Ceitil foi dos que mais me marcou, desconhecido para muitos, mas um ser Humano incrivel...

Que nos deixou várias obras: "Clube de Futebol "Os Belenenses"; A Família; Dona Berta de Bissau

 

mas "Sejam Felizes!" foi uma obra que me emocionou... E fez-me sentir que não sou a única a divagar sobre vários assuntos.

 

Até sempre, José Ceitil!

 

Wook.pt - Sejam Felizes!

29
Ago20

Mais uma partida de uma alma gentil...


Milheiras

Ontem partiu mais alguém... Alguém delicado, com quem privei em criança, alguém que também foi minha catequista, voz suave, uma delicadeza, mas ao mesmo tempo uma força...Uma mulher de armas, no seu renaut 5 creme e mais tarde no seu twingo. Formaram um casal fantastico, recatado mas que tocaram em muitas vidas, a minha foi uma delas, não sei se algum deles soube... Quem se lembrará deles?? Será que eles sentiram que tinham tocado em tantas vidas?? Espero que sim...Quando me lembro deles é com um sorriso... Oxalá não fiquem esquecidos...

18
Jan20

Medo vs Receio


Milheiras

Medo - sentimento de inquietação que surge com a ideia de um perigo real ou aparente (https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/medo)

Receio - estado de incerteza ou dúvida acompanhada de temor; apreensão (https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/receio)

Quando é que é medo e quando é que é receio?

Quando é que o receio ou o medo deixam de ser normais e passam a patológicos?

Tenho medo de morrer???

Não, tenho medo de não ver os meus filhos crescerem...

Tenho medo, pavor, pânico que lhes aconteça algo...

Fico muita aflita, principalmente quando sei que vão estar afastados de mim...

Estúpido, não! Quando a única perda que tive estava junto a mim, dentro de mim...

Não quero pensar em karma, nem o que vim fazer nesta vida e o que vieram fazer os meus...

 

 

24
Jul18

Vidas


Milheiras

No ano passado foi o pesadelo em Portugal, o meu lugar do coração quase desapareceu ... Este ano foi lá longe, na Grécia... Mas ainda assim não deixa ninguém indiferente... Que tristeza! Dezenas de vidas perdidas... Malditos incêndios que destroem tudo por onde passam, que nos deixam impotentes perante a sua monstruosidade. Que deixam um rasto de luto, perda e dor... Que nos fere as entranhas! 

29
Jan18

Mais um Adeus!!!


Milheiras

Imagem relacionada

 

Queria ter ido visitá-la, e ao mesmo tempo tinha medo de ir...Acabei por não ir...

Hoje partiu!

Partiu uma amiga, com 86 anos.

"E a coisa, é como ela, é!"

Dizia muitas vezes, quando não havia volta a dar.... Agora sou eu quem digo:"E a coisa, é como ela, é!"

Era um ÁS, no jogo da Sueca, chegou a trazer prémios para a Universidade Sénior.

Tornou o seu sonho realidade, ainda no ano passado, quando esteve cá a minha Profª de visita ela disse:  que sempre disse que não queria morrer sem aprender a ler, e aprendeu!

Depois dos 75 aprendeu a ler e a escrever, foi comigo à Universidade, era um exemplo!

Era a minha companheira para todas as atividades...

 

"E a coisa, é como ela, é!"

 

Até Sempre!!!

Até um dia destes!!

 

 

17
Jan18

Hoje fui eu que tremi...


Milheiras

Não consigo entender o leva as pessoas a chegarem a este ponto, ao mesmo tempo compreendo tão bem... Só sou cobarde de mais para o fazer, porque no fundo é um acto de coragem. Ter certeza que não se quer mais sofrimento e que não há mais nada... Eu tenho sido sempre assaltada pela esperança... Que não me deixa ganhar coragem, porque tenho medo daquilo que vou perder e se for melhor do que aquilo que estou a viver? Pergunto-me se foi solidão, o que foi o clic, a festa? E se o melhor ainda estava para vir?

30
Mai17

Pesadelo Real - 8 de Maio


Milheiras

Tal como estava combinado lá fui ter com médico, na segunda 8 maio.

Levava comigo o saco da "maternidade", camisas de dormir, robe, chinelos e muitos pares de cuecas, pensos ultra absorventes de noite, e artigos de higiene pessoal. O saco e o ovo, a primeira roupinha do bebé ficou em casa desta vez estava destinado que viesse de braços vazios. Tremia que nem varas verdes, quando cheguei ao hospital. Os olhares de pena quando dizia que tinha um aborto retido.

Depois o chegar ao piso da maternidade/pediatria, encontrar grávidas com barrigões e sorrisinhos nervosos, ouvir o choro dos bebés ainda tão pequeninos...

E eu saber que a morte habitou o meu ventre, e o pavor de ter de passar por tudo outra vez, era sufocante, apesar de tentar manter um sorriso na cara, houve um momento em que correram duas lágrimas furtivas.

O ter de deixar o meu marido, na sala de espera e entrar sozinha atrás do médico, fui a mais profunda sensação de solidão, desta vez até os corredores me pareceram mais sombrios.

O ser observada e ver debaixo de mim um balde à espera... O terror, o desespero inundava-me e eu gelava e permanecia no mais profundo dos silêncios, nem as lágrimas queriam assistir...

E o médico respondeu: "Está tudo limpo!"

E a dor cravou-se no meu peito, perdi o meu filho e lembrei das palavras do José Luís Peixoto: "Um filho só de sangue..." que eu deixei escorrer...

E o vazio apoderou-se de mim... Porque não quiseste ser meu filho????

 

 

 

 

"Esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas. Sou eu. Podíamos ter-lhe ensinado as palavras, mas o seu nome é agora de sangue. Podíamos ter fechado a sua mão pequena dentro da nossa, mas a sua mão é agora de sangue. Esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas e morre sou eu, o meu sangue e a minha memória."

"Fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."

"Vamos separar-nos, nada nunca mais me trará
os teus olhos ou os teus dedos ou tantas coisas
que eram palavras, nada, nunca mais, manhã após
manhã, te mostrará o meu rosto a acordar. nem as
estrelas, nem a cama antes de adormecer. nada.
Vamos separar-nos, e nada nunca mais nos poderá
unir, nem mesmo o tempo. nem mesmo a morte."

"não. ninguém irá saber o que aconteceu.
Estou muito cansado.
Apetece-me dormir até morrer."

 

José Luís Peixoto

in: A criança em ruínas

 

28
Mai17

Pesadelo Real... 6 de Maio


Milheiras

 

 

 

Desde o dia 3 de Maio pelas 16 horas até ao momento que tenho vivido um pesadelo real...

Foi horrível fisicamente, mas psicologicamente é melhor nem falar, porque continua a ser horrível, embora por momentos consiga esquecer o que se passou...

Desde o momento em que soube que o feto não tinha batimentos que a dor na alma é lacerante...

No dia 4 passei o dia todo a chorar, a desejar que a morte saísse de dentro de mim...

A física só começou na noite de 3 para 4 de maio e intensificou-se na noite de 5 para 6 de maio, a que culminou com a expulsão do feto por volta das 7 da manhã do dia 6 de Maio, mas com contracções até por volta das 13 horas, ironicamente na véspera do dia da Mãe.

O médico tinha-me explicado tudo o que poderia acontecer, e caso acontecesse para lhe ligar, mas também disse que se não acontecesse nada que no dia 8 segunda-feira teríamos de tratar de tudo.

Com mais alguma ajuda da Internet, estava preparada para perceber o que se ia passar comigo e com o meu corpo...

Por isso quando senti aquele corrimento incontrolável saltei da cama e corri para casa de banho deixando um rasto de sangue e levando o telemóvel comigo para chamar o meu marido, em pleno processo telefonei para o trabalho e pedi-lhe que viesse...

Senti sair aquela bola suave, que não tive coragem de ver , pensei que ia desmaiar, bati na minha própria cara com a mãos molhadas em água gelada, nem sei qual dor era mais incapacitante parece que se tinha partido alguma no meu peito e as entranhas sangrando, saindo depois varias vezes bolas suaves mas mais pequenas... Não tive coragem para ver o que saiu...

Abracei o meu marido, nem coragem tive para chorar...

Sabia que a morte não podia continuar a habitar o meu ventre, mas o que saia de mim não era a morte, era o meu filho...

 

 

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